PRA QUE ciência?

Anna Karenina Azevedo-Martins

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          Pra que ciência? Por que ciência? Pra quem ciência? Pra que serve ciência? A quem serve a ciência? Enquanto eu montava e ideava minha pequena traquitana, eu buscava sem encontrar uma listinha de razões sólidas e suficientemente fortes para justificar o projeto. Nada se sustentava sem minha ajuda. Era completamente inútil tentar encontrar respostas pré-moldadas que pudessem conversar com essa brincadeira. Aí comecei a suspeitar que não seria possível prever, nem realizar o ensaio mental para orientar a conversa das imagens com quem as vê. Senti que talvez fosse necessário fazer, realizar. O realizar se impôs como condição sine qua non para o nascimento das fotos. As fotos só nasceriam depois de feitas. Sim, ingenuidade minha imaginar que seria possível prever uma foto. Não é possível. Hoje, aqui e agora, eu diria que nem mesmo aquelas velhas e históricas 3x4, em que ninguém ficava bem, até os bonitos ficavam meio estranhos, podiam ser previstas. Sei lá!

 

          Fato é, que só me dei conta de que não conseguiria expressar ideia nenhuma através de um ensaio fotográfico, fazendo um ensaio fotográfico. Muito bem, mas para alguma serventia ele teve. Ao me pôr a desenhar e recortas as letras fui abandonando a ideia de que o mundo que aparecesse no vazado das letras me ajudaria a responder “para que ciência?” Ora ora ora mas o mundo sequer sabia que estava sendo inquirido! Onde foi parar o ponto de interrogação? Sim, de certo o mundo fala todas as línguas, mas sem ser interrogado ele não vai saber que o que lê é uma pergunta. Será que se eu tivesse recortado o ponto de interrogação eu teria conseguido diálogo no ensaio? E depois me ocorreu que não tem a menor importância se perguntar: pra que ciência?

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          Perguntar isso é como perguntar: pra que arte? Pra que religião? Religião, arte e ciência são caminhos entre nós e o mistério. Alguns percorrem apenas um desses. Outros, percorrem os três e ainda assim não ficam satisfeitos. Eu me classificaria nesse último grupo. Depois de sentir esse desconforto existencial parei de querer encontrar uma resposta e me pus a criar as minhas respostas. Disso apreendemos, cara leitora, caro leitor, que cada corpo/mente/alma deve encontrar suas respostas. As minhas estão subordinadas ao meu trabalho de cientista. Ou melhor, de professora cientista.

 

          Então, vamos lá!

 

PRA QUE  ciência ?

 

Para respirar

Para pagar contas

Para melhorar

Para responder perguntas

Para fazer perguntas

Para criar cidadãos melhores

Para construir um país

Para cuidar do planeta

Para cuidar de quem precisa

Para fazer política

Para se contrapor a ela

Para conhecer

Para amar o que se conhece

Todas as imagens são de autoria de Anna Karenina Azevedo-Martins

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